terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vermelho


Vestiu o sobretudo preto e deixou soltos os cabelos negros de forma que escondessem metade do seu rosto. Passou um batom vermelho, daqueles que nenhuma moça de interior ousaria experimentar nem escondida no banheiro. Usou esse batom para combinar com o seu scarpin de veludo salto 15. Tinha que disfarçar sua verdadeira identidade.
Chegou no local um pouco desconfiada, mas tinha que fazer isso.
_Boa Noite. Posse lhe ajudar?
_Procuro o Senhor Silvio.
_Sou eu, pois não?
_O Marcos conversou contigo por telefone?
_Humm.Você é a moça do telefone.
_Isso. E, você tem o produto?
_Tenho sim.
_Certo.
_Fica R$ 2.000,00.
_Certo.
_Você quer levar agora?
_Onde eu pego? Pode ser aqui mesmo?
_Não.
Ambos olharam para os lados verificando se alguém os observavam.
Ninguém.
_Certo.
_Me encontre no pub da esquina.
_Certo. Sentarei próximo ao bar.
_Você trouxe o dinheiro todo?
_Sim. E você vai demorar para levar?
_Só 10 minutos.
_ Certo.
"Certo" era a única palavra que conseguia proferir. Aquilo era ilegal.
E ela, nunca imaginara fazer esse tipo de coisa. Não foi criada para isso.
Chegou no pub e sentou no local combinado.
Pegou o envelope e selou com sua saliva.
Tinha que disfarçar. Então, pediu uma bebida, mas tinha que ser bem forte. Pediu wisk 18 anos.
Aquilo tudo era muito novo para ela.
O garçom colocou o pedido dela no balcão e mal tocou no copo, o senhor apareceu com o produto.
Pegou novamente o envelope e percebeu que o tinha manchado com seu batom.
Não se importou. Entregou o envelope com a quantia e ao mesmo tempo recebeu o produto.
Pegou-o nas mãos, ligou para Marcos e sentiu algo estranho: um gosto amargo na boca, gosto de novidade, gosto de ilegalidade, enfim, era uma mafiosa.

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