quarta-feira, 17 de março de 2010

Pandora é aqui?



Uma notícia me incomodou nessa semana. Acredito que para muita gente também. O nosso governo estadual quer agilizar a exploração de 420 mil hectares para a mineração na região de Ponte Alta e Monte do Carmo. Uma forma de atrair investimentos, aumentar a arrecadação e aquecer a nossa economia, ou no melhor jargão institucional, acelerar o Tocantins.
Conforme as notícias, a estimativa é de uma jazida de 159 bilhões de toneladas de ferro, ou seja, bem maior que Carajás, no Estado do Pará. Eu conheci o local de exploração de minério de ferro na Serra dos Carajás. É uma experiência aterrorizadora, simplesmente não existe verde. Tudo é marrom. Tudo é cinza. Tudo é maquinário. Tudo é sem vida.
E, depois dessa notícia, remeti-me à Serra do Carmo e suas belezas naturais e principalmente, o verde, a vida. E que tudo pode virar pó devido os investimentos, as arrecadações e a melhoria da economia.
Em que período estamos? Voltamos à década de 70, onde a exploração da região Norte foi irresponsável com o meio ambiente e ribeirinhos? Querem transformar o Estado do Tocantins em quê? Não vá me dizer que esses ‘investimentos’ não abalam consideravelmente o meio ambiente?
O Rio Tocantins será resumido à um grande lago de cabo a rabo dentro do Estado, pois dúzias de usinas hidrelétricas estão construídas ou em construção, e quiçá, já existem outras novinhas no papel. Sem contar, é claro, as lavouras, plantações e pastagens espalhadas em todas as regiões do Tocantins.
Refletindo sobre a notícia de exploração da Serra do Carmo fiz uma analogia com um dos recentes sucessos de bilheteria e crítica do cinema americano, o filme Avatar, de James Cameron. Onde a corporativa humana RDA, explora minério em Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três gigantes gasosos fictícios orbitando Alpha Centauri, a 4,4 anos-luz da Terra. Os humanos têm o objetivo de explorar em Pandora as reservas de um precioso minério chamado Unobtainium, só que o planeta Pandora é habitado pelos Na’vi, uma espécie de humanóides, que vivem em harmonia com a natureza e são considerados primitivos pelos humanos.  Sem contar que os humanos não têm uma convivência pacífica com os Na'vi por não entenderem sua cultura de venerar a natureza.
Quem assistiu o filme sabe todo o enredo e não fica ao meu cargo, contar toda a história. Só questiono se somos nós os Na’vi? Ou melhor, vai existir algum Na’vi para defender a Serra do Carmo? Queremos proteger e preservar nossas florestas e matas?
A princípio, só nos resta mesmo discutir e levantar questionamentos acerca desse tema. Até que ponto acelerar um Estado será benéfico para a população, para a Natureza e para a Vida?

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