quarta-feira, 26 de maio de 2010

Matéria - Jornal do Tocantins

RELIGIOSIDADE

Devoção e fé em Natividade

A Festa do Divino Espírito Santo fechou com chave de ouro o ciclo de peregrinações dos fiéis.

Poliana Macedo
Natividade
Especial para o JTo

“Uma vida prolongada, cheia de gozo e ventura, com saúde vigorosa, o Divino lhe assegura, devotos dessa cidade, vinde ouvir o nosso canto, vinde beijar a bandeira, do Divino Espírito Santo.” Esse era o cântico foi entoado pelos devotos do Divino Espírito Santo de Natividade, na região Sudeste do Estado, a 200 km da Capital; durante as comemorações da tradicional Festa do Divino Espírito Santo que reuniu cerca de 4 mil pessoas.

Foram 50 dias de orações, cânticos, festejos, devoção, unidade e caridade que envolveram a comunidade rural e urbana das cidades de Natividade, São Valério, Chapada da Natividade, Almas e Santa Rosa do Tocantins. Em Natividade, a festa é composta por personagens fixos, como o Imperador e a Imperatriz, o Capitão e a Rainha do Mastro, o Despachante, os foliões, os Alferes, os Arrieiros, os Caixeiros e o Procurador da Sorte.

Protagonista
O personagem principal da festa é o Imperador e ele é responsável pela preparação e realização da festa, devendo ser, ao mesmo tempo, seu maior investidor e aquele por meio de quem a cidade presta suas homenagens ao Divino, como uma espécie de representante do Espírito Santo.

Nesse ano, o Imperador do Divino foi o folião e produtor rural Júlio Dias Rocha e como Capitão do Mastro, o nativitano Antonio Luiz de Sena Rodrigues. O pároco responsável pela festividade foi Padre Pedro Nunes de Novaes.

Folias
De 20 a 24 de maio foram finalizadas as comemorações da Festa do Divino Espírito Santo em Natividade, que nesse ano iniciou-se no dia 4 de abril (Domingo de Páscoa) com a saída das Folias sendo dividas em três caminhos: Folia de Cima, Folia do Outro lado do Rio Manoel Alves e Folia dos Gerais. As folias percorreram por 40 dias as propriedades rurais e municípios circunvizinhos em busca de donativos para a festa do Imperador, além de evangelizar as pessoas por meio de cânticos e rezas.

Devotos
A partir da chegada das folias, a festa do Imperador e do Capitão do Mastro passaram a receber devotos voluntários com a preparação de toda a comida que será distribuída, gratuitamente, para todos os foliões, devotos e comunidade que participam dessa grande celebração de fé.“Se é para o Divino, todos ajudam e ninguém reclama, seja lavando prato, preparando bolos ou cortando lenha para o forno. É nossa devoção”, explicou a aposentada nativitana Urânia Valente Araújo.

Esmola Geral
A comunidade se reúne nas casas do Capitão do Mastro e do Imperador e até mesmo nos arredores da Igreja devido ornamentação e entrega das bandeiras como parte da Esmola Geral, que percorre as principais ruas da cidade em uma procissão, com a população, em sua maioria, vestida na cor vermelha em homenagem ao Divino. A procissão conta também com os Alferes circulando pelas principais ruas de Natividade com uma bandeira maior, a Bandeira da Misericórdia, além das bandeiras dos devotos visitando os moradores e pedindo donativos para a festa do Divino Espírito Santo.

Sempre em pares, o portador da bandeira e um acompanhante ao entrar na casa do devoto com a bandeira do Divino devem abençoar a residência e seu proprietário, porém o portador da bandeira não pode tocar no dinheiro.

Emoção
A emoção marca a Esmola Geral, pois muitos devotos pagam promessas amarrando cédulas de dinheiro nas fitas da Bandeira da Misericórdia, outros percorrem toda a procissão descalços e alguns rezam o terço. Ao final, os donativos conseguidos durante a esmola e as bandeiras são entregues na casa do Imperador.

Capitão do Mastro
A comemoração da festa do Capitão do Mastro começou após a Esmola Geral, na parte da noite, com uma missa na Matriz da cidade e logo após, toda a população sai em busca do Mastro que fica todo enfeitado de branco e vermelho.

Procissão
A procissão foi aberta pelos tocadores e dançadores de sússia, regada de músicas alegres que são ritmadas pelos tambores, além de ser iluminada por velas e tochas de cera de abelha. O percurso no qual é levado o Capitão em cima do mastro, que lembra o formato de um barco, é rápido e o personagem tem que suportar os movimentos que os homens da comunidade fazem para tentar derrubá-lo. Antônio Luiz de Sena Rodrigues, o Capitão do Mastro, justificou a organização de toda a festa ao dizer, no final da missa, que “durante o reinado do Espírito Santo ninguém passa fome, ninguém passa sede e ninguém pode ficar triste.”

Assim que o Mastro foi levado para a Matriz, toda a população dançou ao som da sússia e da catira. Após esse ritual em frente à Matriz, iniciou-se a festa do Capitão com distribuição de comida e bebida não alcoólica.

Festa do Imperador
No domingo, logo cedo, a festa do Imperador movimentou a cidade. Todos que participaram da missa ou acompanharam o cortejo do Imperador até a Igreja Matriz estão trajados com roupas sociais. Domingo de Petencostes, segundo a Bíblia, foi quando Jesus apareceu para os apóstolos e soprou sobre eles, transmitindo- lhes os dons e os poderes do espírito santo. Neste momento, o Imperador assumiu seu reinado e junto com sua família seguiu em cortejo até a Igreja Matriz, onde foi coroado pelo Padre.

Missa
Ao final da Missa Solene foi realizado sorteio para a definição dos próximos festeiros. Para Capitão do Mastro de 2011 a “sorte do Divino” foi para o ex-prefeito Albany Cerqueira (Tiquim) e, para Imperador, o agrônomo Luciano Pinto. “Fui agraciado pelo Divino Espírito Santo para ser Imperador e tive ajuda de muitas pessoas. Essa tradição é nossa e muita gente não dá valor”, disse o Imperador Júlio Dias. Após a Missa, houve a Festa do Divino, para simbolizar o fim das comemorações. No mesmo dia, à noite, o Imperador visitou o seu sucessor levando bolos, biscoitos e licores como forma de desejar sorte em seu reinado.

Saiba mais

Os dons do Espírito Santo

Dom da Sabedoria: É o oposto à Estreiteza de espírito. A pessoa sábia não olha as coisas apenas de um ponto de vista, mas sim de maneira integral. Sabedoria significa ver as coisas de todos os ângulos.

Dom do Entendimento: Significa a Ciência do coração. Entender significa ver a partir do coração das outras pessoas, sentir e conhecer os sentimentos e as atitudes do coração das outras pessoas.

Dom do Conselho: Significa tomar boas decisões. Para se poder tomar boas decisões são necessárias um trabalho preparatório; ver as alternativas e prever as consequências. Então, quando a pessoa julga, o seu julgamento será correto.

Dom da Fortaleza: Significa que é preciso viver as decisões tomadas, sejam quais forem as dificuldades. Significa coragem para viver as próprias convicções, a qualquer preço.

Dom da Ciência: Significa um conhecimento claro do mundo tal como ele é para cada um, conforme a época da vida em que se vive. O mundo vai mudando e é preciso interpretá-lo a seu tempo.

Dom da Piedade: Significa ter na devida conta e apreço o valor da vida e tudo o que a mantém e suporta. O Dom da Piedade é para se enfrentar a realidade e responsabilidade de cada um, como por exemplo, os pais dedicarem-se aos seus filhos com todo o cuidado e ternura. Cada um deve assumir as suas responsabilidades.

Dom do Temor de Deus: Significa que se deve reconhecer com profundos sentimentos de respeito e amor, que se está sempre na presença de Deus. Assim mais facilmente se reconhece o perigo do erro e do pecado bem como a vantagem do bem e do cumprimento do dever.

Fonte: http://www.universocatolico.com.br/index.php?/dons-do-espirito-santo.html

Veiculada no Jornal do Tocantins (Arte & Vida) - 26 de maio de 2010.
Foto: Emerson Silva - FCT

Um comentário:

  1. Chic, Poli!
    Parabéns, admirooooooooooo muito vc!


    Blog lindo___ lindo___ lindo!

    beijossss

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