quarta-feira, 21 de julho de 2010

Aos amigos..

Texto bacana que recebi de uma grande amiga!
E que ofereço aos meus amigos de perto, de loge, das 'antigas', da familia, atuais e os de todo o sempre!

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Aos meus...

 
"Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade.
Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida
inteira. Temos o costume de confundir amizade com onipresença e
exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão. Amizade
não é dependência, submissão.
Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os
rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma
opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele
ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e
severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele
por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva? A
proximidade física nem sempre é afetiva. Amigo pode ser um álibi ou
cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses
que não o da simples troca e convívio. Amigo mesmo demora a ser
descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua
perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela
verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São
capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar. Assim como há os
amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade.
Aqueles que não estão perto podem estar dentro.
Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os
valorizo com o frescor de um encontro recente. Não vou mentir a eles
"vamos nos ligar" num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas
esfarrapadas ao distanciamento. Eles me ajudaram e não necessitam
atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo
o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos
filhos, dos netos, dos bisnetos.
Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da
última vez, a empatia incessante de identificação. Amigos me salvaram
da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja,
amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas,
amigos me salvaram de mim. Os amigos são próprios de fases: da rua, do
Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da
poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da
academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação. Não estão
em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade,
determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes. '

(Fabrício Carpinejar)

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