quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Chegando em Braga...


Helena e sua mãe (Maria Célia) foram me buscar em Porto. Assim que as vi tive um alivio danado. Claro que conheci outras pessoas durante esse sobe e desce de aeronaves, nesse caso, 3 mulheres que também vinham para Portugal para estudar, uma advogada mineira que estava com a filha e veio fazer doutorado em Coimbra, outra sulista que ia para Aveiro e a última que era professora de biologia e iria para Guimarães.
É tão mais fácil quando você encontra pessoas na mesma situação que a sua! Durante a viagem percebi uma coisa muito clara: portugueses não gostam de brasileirAs! Isso mesmo. Consideram que todas que vêem para cá vem levar uma vida ‘fácil’. Daí, quando você diz que veio fazer Mestrado, eles mudam de fisionomia e te tratam uns 10% melhor...
Ainda bem que eu tenho tia Maria Célia e Helenita como apoio integral.  Tenho a certeza que elas foram o principal alicerce para que eu viesse para cá e conseguir fazer meu Mestrado e tão almejado intercambio.
Braga é uma cidade bonita, principalmente o Centro Histórico. E que frio da peste! Às 12h (8h no Brasil) o termômetro marcava 22 graus. Nada bom para uma pessoa que nasceu e foi criada entre os trópicos, ou seja, CALOR.
Minhas primeiras impressões com relação às pessoas e a cidade em si. Primeiro de tudo, as pessoas te olham esquisito e são meio ‘brutas’(mal educadas mesmos!), gritam o tempo todo (é, porque aquilo não é falar, é gritar), palavrões são mel em suas bocas, estacionam os carros em qualquer lugar e não são bons em combinar tons e roupas. Claro que tudo isso é opinião minha e ninguém tem nada a ver com isso.
Aqui na região da Universidade do Minho as pessoas são bem bonitas tanto homens quanto as mulheres (essas, lindíssimas). Mas eu já captei o sentido da coisa! É só colocar uma bota, um casaco, um lenço ‘bacaninha’ e um super óculos no rosto. E claro, cabelos sempre soltos e com um corte estranho, nesse último caso, os meninos! Daí você arrasa baby...
Outro detalhe do meu primeiro dia em Braga foi que já me instalei na Residência dos Estudantes Santa Tecla. O quarto parece um ovo de tão pequeno, mas é tudo novinho e limpinho. Minha colega de quarto ainda não apareceu e olha que eu cheguei 8 dias atrasada! Por enquanto, o quarto é só meu! Isso é bom ou não!
Na Residência Santa Tecla fica um porteiro na guarita e seu nome é Said. Ele deve ser africano e é super engraçado, além de dizer que entende o português brasileiro.
Depois de me instalar fui para a casa da Helena e capotei! Estava (estou) muito cansada ainda e com as idéias alteradas, até porque estou adiantada 4 horas. Ah! Mas aqui estamos no horário de verão até o dia 31 de outubro, depois disso, a diferença fica em 3 horas! (Grande diferença)
Liguei ao meio-dia daqui para meu pai perguntando se minha mãe tinha chegado da escola e ele disse que ela tinha acabado de ir trabalhar... Opss!
Demora acostumar um pouco... rsrsrs
Enfim, dei noticias para meu povo o mais rápido possível! Na quarta (hoje) terei reunião com a coordenadora do Mestrado em História para definir minha vida acadêmica e daí sim, acredito que a ficha caíra, pois começarei a assistir às aulas.
À noite fomos ao Centro Histórico, que fica bem próximo da UMinho e é tão lindo! Prédios seculares, aquele ar bucólico e para premiar minha noite uma artista de rua tocando um violino. Tudo de lindo e diferente. Às vezes senti que estava naqueles filmes medievais. Viagem danada, mas a impressão é essa!
E o frio?? Quase tive um ‘trem’!  Pergunto para Helena se estava frio na rua, ela abre a janela e diz que “está de boa”. Eu, inocente (mas nem tanto) peguei a jaqueta de couro e um lenço, nada de luvas, botas ou gorros. Quase morri de frio! Dedos das mãos e pés congelados, nariz, orelhas e bochechas queimando e cabelo gelado! E um termômetro indicando 19 graus! Tá! Sei! Mentira! Fazia uns 10 a 12 graus! Tenho certeza! E olha que ainda é outono! Estou fu...
Por enquanto é isso. Estou me acostumando com o jeito do povo daqui. E evito pensar na minha rotina palmense para não sentir tanta solidão. De tudo, só não sinto tanta falta do calor que faz por lá nessa época. É difícil dizer isso, mas assim que cheguei e vi tudo novo pensei em ir embora e me deu um aperto no coração.  Por mais que estivesse com minha amiga, senti-me tão sozinha. Primeira coisa que fiz logo em seguida? Liguei para as pessoas importantes na minha vida e pode escutar suas vozes e tipo ‘bola pra frente’...
Mas é isso. Foi o que eu escolhi e tenho convicção que essa experiência me proporcionará bons frutos profissionais e pessoais valiosos! Estou pagando (literalmente) para ver.

*Coisas que tenho que aprender ou melhorar (bastante):
  • ·         Mexer no aquecedor (vai que eu me queimo?);
  • ·         Misturar água quente com a fria na hora do banho (friooooo demais);
  • ·         Secar o cabelo com secador após lavar (o cabelo fica um picolé: frio e duro);
  • ·         Mexer na máquina de lavar da lavanderia da residência (parece um monstro aquilo).

Um comentário:

  1. Poli amei ler como foi a chegada... vc nasceu para escrever mesmo... tão detalhista, tão explicativa que até vi as cenas...
    força amiga... vc está onde vc sonhou, e fazendo coisas que sempre desejou, só vai te fazer crescer mais e mais... tenha uma maravilhosa estadia, que se sai muito bem em tudo que foi fazer e o mais importante seja muito feliz no que vc está fazendo. Estamos aqui, poderemos ir ali ou acolá, mas torcemos para seu sucesso sempre!!!
    bjus no core
    Jady Amaral

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