quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O que posso te contar até agora?

Sou Poliana Macedo de Sousa, para os íntimos: Poli. Sou brasileira e nasci em Porto Nacional no ano de 1985, no antigo norte de Goiás, região que hoje, após o desmembramento, é o Estado do Tocantins. Meus pais se conheceram na cidade em que minha mãe morava no interior. Ela, secretária de um posto de gasolina e ele, gerente de banco.
Depois do pedido de namoro onde minha mãe encontrava-se de chinelos e bobes nos cabelos em frente à casa da minha bisavó, eis que se casam após 7 meses de namoro em 1984, e eu, acabei por nascer 1 ano e 3 meses depois disso tudo.
Tenho dois irmãos mais novos, ou seja, eu que ‘teoricamente deveria’ mandar por ser a ‘mais velha’. São eles Maianna que é enfermeira e estuda atualmente Medicina e o caçula, Vinicius que estuda Farmácia. Minha família vive em Araguaína desde 1989 e foi nessa cidade que passei por algumas das minhas primeiras descobertas como primeiro beijo, primeiro amor, primeira nota vermelha em matemática, primeira briga, enfim, foi em Araguaína que passei toda minha infância e adolescência, vivendo lá até os meus 17 anos. Alguns fatos marcaram-me profundamente nessa fase da minha vida, como por exemplo, ser a coleguinha que passava “cola” aos amigos e sempre se preocupava em ser a melhor da turma, pelo menos para mostrar aos meus pais que o investimento deles não era em vão. Digamos que foi nessa fase de adolescência que descobri o que significa a palavra “orgulho”. Acho que por isso, nunca soube pedir algo, até mesmo ajuda.
Chegando a época do vestibular (exames nacionais) passei em duas universidades: uma pública e outra privada. Sendo que a primeira era para o curso de Jornalismo e a segunda, para o curso de Direito. Optei pela pública e pelo jornalismo, o qual descobrir ser minha paixão.
Entrei na universidade aos 17 anos e lá fiquei até os 21, ou seja, formei na época certa. Fui a todas as festas, congressos, aulas e nunca fui reprovada em nenhuma disciplina. Enfim, estudei e aproveitei bem a vida de universitária. Acho que por isso nunca me dei “bem” em relacionamentos, pois sempre pensei em mim em primeiro lugar e nos meus objetivos profissionais.
Como jornalista trabalhei para políticos, sindicatos e juízes como assessora de imprensa, mas isso me incomodava, pois queria escrever para as pessoas e informá-las. Fiz especialização em Cidadania e Cultura na universidade pública e queria mais.
Então, partir para outro ramo que o Jornalismo nos permite aventurar: uma redação de jornal impresso. Trabalhei na redação do jornal de maior circulação do Estado do Tocantins e paralelamente, tentava ser aprovada em alguma seleção para mestrado, pois viver com salário de jornalista no Brasil é desolador, e por incrível que pareça, dar aulas em uma universidade é mais gratificante financeiramente e profissionalmente. Nesse perído arrumei meu primeiro namorado, mas não deu certo! Resolvi trabalhar!
Fiquei só três meses no jornal e desiludi-me com a face capitalista do jornalismo: lucro, jogo de interesse e parcialidade total.  Nesse mesmo período passei na seleção do mestrado em Ciências do Ambiente na mesma universidade pública em que graduei em Jornalismo e fiz a especialização, saí do jornal, fiquei desempregada por quatro meses, e no mês de junho desse ano, consegui uma bolsa de auxílio do Ministério da Educação do meu país.
Todas as economias foram embora porque tive que viver delas. Foi ai que voltei para a vida de estudante, com pouquíssimos gastos, mas mantendo minha vida social com meus amigos, ou seja, umas ‘cervejinhas’ às sextas-feiras.
Em julho, fui informada da possibilidade de fazer um intercâmbio e aperfeiçoar minha pesquisa do mestrado. Inicialmente eu faria só um mês de revisão bibliográfica na Universidade do Minho, porém fui convidada para estudar um semestre em Braga. Claro que aceitei!
Como estava sem dinheiro e o único meio de sobrevivência era minha bolsa de auxílio veio a pergunta: como comprar as passagens? A única solução foi vender meu bem adquirido depois de três anos de trabalhos como jornalista: meu carro. Depois disso, organizei toda a papelada como visto, passagens, moradia e afins em apenas um mês e agora estou aqui em busca de crescimento profissional!
No Brasil, deixei amigos, família e amores. Não sei se terei os mesmo amigos ou amores quando retornar (a família, pelo menos!), mas acredito que estar aqui não será em vão. O que eu vou colher aqui em Portugal, depois dessa jornada, ainda não sei, mas estou gostando.
E o que será de mim?


Braga, 26 de outubro de 2010.
_______________

Essa resenha está também no blog  Memória, História e Identidade que é fruto da disciplina honônima do mestrado em Patrimônio e Turismo Cultural da Universidade do Minho, Braga - Portugal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário