quinta-feira, 27 de maio de 2010

Desconfie


"Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."
Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Matéria - Jornal do Tocantins

RELIGIOSIDADE

Devoção e fé em Natividade

A Festa do Divino Espírito Santo fechou com chave de ouro o ciclo de peregrinações dos fiéis.

Poliana Macedo
Natividade
Especial para o JTo

“Uma vida prolongada, cheia de gozo e ventura, com saúde vigorosa, o Divino lhe assegura, devotos dessa cidade, vinde ouvir o nosso canto, vinde beijar a bandeira, do Divino Espírito Santo.” Esse era o cântico foi entoado pelos devotos do Divino Espírito Santo de Natividade, na região Sudeste do Estado, a 200 km da Capital; durante as comemorações da tradicional Festa do Divino Espírito Santo que reuniu cerca de 4 mil pessoas.

Foram 50 dias de orações, cânticos, festejos, devoção, unidade e caridade que envolveram a comunidade rural e urbana das cidades de Natividade, São Valério, Chapada da Natividade, Almas e Santa Rosa do Tocantins. Em Natividade, a festa é composta por personagens fixos, como o Imperador e a Imperatriz, o Capitão e a Rainha do Mastro, o Despachante, os foliões, os Alferes, os Arrieiros, os Caixeiros e o Procurador da Sorte.

Protagonista
O personagem principal da festa é o Imperador e ele é responsável pela preparação e realização da festa, devendo ser, ao mesmo tempo, seu maior investidor e aquele por meio de quem a cidade presta suas homenagens ao Divino, como uma espécie de representante do Espírito Santo.

Nesse ano, o Imperador do Divino foi o folião e produtor rural Júlio Dias Rocha e como Capitão do Mastro, o nativitano Antonio Luiz de Sena Rodrigues. O pároco responsável pela festividade foi Padre Pedro Nunes de Novaes.

Folias
De 20 a 24 de maio foram finalizadas as comemorações da Festa do Divino Espírito Santo em Natividade, que nesse ano iniciou-se no dia 4 de abril (Domingo de Páscoa) com a saída das Folias sendo dividas em três caminhos: Folia de Cima, Folia do Outro lado do Rio Manoel Alves e Folia dos Gerais. As folias percorreram por 40 dias as propriedades rurais e municípios circunvizinhos em busca de donativos para a festa do Imperador, além de evangelizar as pessoas por meio de cânticos e rezas.

Devotos
A partir da chegada das folias, a festa do Imperador e do Capitão do Mastro passaram a receber devotos voluntários com a preparação de toda a comida que será distribuída, gratuitamente, para todos os foliões, devotos e comunidade que participam dessa grande celebração de fé.“Se é para o Divino, todos ajudam e ninguém reclama, seja lavando prato, preparando bolos ou cortando lenha para o forno. É nossa devoção”, explicou a aposentada nativitana Urânia Valente Araújo.

Esmola Geral
A comunidade se reúne nas casas do Capitão do Mastro e do Imperador e até mesmo nos arredores da Igreja devido ornamentação e entrega das bandeiras como parte da Esmola Geral, que percorre as principais ruas da cidade em uma procissão, com a população, em sua maioria, vestida na cor vermelha em homenagem ao Divino. A procissão conta também com os Alferes circulando pelas principais ruas de Natividade com uma bandeira maior, a Bandeira da Misericórdia, além das bandeiras dos devotos visitando os moradores e pedindo donativos para a festa do Divino Espírito Santo.

Sempre em pares, o portador da bandeira e um acompanhante ao entrar na casa do devoto com a bandeira do Divino devem abençoar a residência e seu proprietário, porém o portador da bandeira não pode tocar no dinheiro.

Emoção
A emoção marca a Esmola Geral, pois muitos devotos pagam promessas amarrando cédulas de dinheiro nas fitas da Bandeira da Misericórdia, outros percorrem toda a procissão descalços e alguns rezam o terço. Ao final, os donativos conseguidos durante a esmola e as bandeiras são entregues na casa do Imperador.

Capitão do Mastro
A comemoração da festa do Capitão do Mastro começou após a Esmola Geral, na parte da noite, com uma missa na Matriz da cidade e logo após, toda a população sai em busca do Mastro que fica todo enfeitado de branco e vermelho.

Procissão
A procissão foi aberta pelos tocadores e dançadores de sússia, regada de músicas alegres que são ritmadas pelos tambores, além de ser iluminada por velas e tochas de cera de abelha. O percurso no qual é levado o Capitão em cima do mastro, que lembra o formato de um barco, é rápido e o personagem tem que suportar os movimentos que os homens da comunidade fazem para tentar derrubá-lo. Antônio Luiz de Sena Rodrigues, o Capitão do Mastro, justificou a organização de toda a festa ao dizer, no final da missa, que “durante o reinado do Espírito Santo ninguém passa fome, ninguém passa sede e ninguém pode ficar triste.”

Assim que o Mastro foi levado para a Matriz, toda a população dançou ao som da sússia e da catira. Após esse ritual em frente à Matriz, iniciou-se a festa do Capitão com distribuição de comida e bebida não alcoólica.

Festa do Imperador
No domingo, logo cedo, a festa do Imperador movimentou a cidade. Todos que participaram da missa ou acompanharam o cortejo do Imperador até a Igreja Matriz estão trajados com roupas sociais. Domingo de Petencostes, segundo a Bíblia, foi quando Jesus apareceu para os apóstolos e soprou sobre eles, transmitindo- lhes os dons e os poderes do espírito santo. Neste momento, o Imperador assumiu seu reinado e junto com sua família seguiu em cortejo até a Igreja Matriz, onde foi coroado pelo Padre.

Missa
Ao final da Missa Solene foi realizado sorteio para a definição dos próximos festeiros. Para Capitão do Mastro de 2011 a “sorte do Divino” foi para o ex-prefeito Albany Cerqueira (Tiquim) e, para Imperador, o agrônomo Luciano Pinto. “Fui agraciado pelo Divino Espírito Santo para ser Imperador e tive ajuda de muitas pessoas. Essa tradição é nossa e muita gente não dá valor”, disse o Imperador Júlio Dias. Após a Missa, houve a Festa do Divino, para simbolizar o fim das comemorações. No mesmo dia, à noite, o Imperador visitou o seu sucessor levando bolos, biscoitos e licores como forma de desejar sorte em seu reinado.

Saiba mais

Os dons do Espírito Santo

Dom da Sabedoria: É o oposto à Estreiteza de espírito. A pessoa sábia não olha as coisas apenas de um ponto de vista, mas sim de maneira integral. Sabedoria significa ver as coisas de todos os ângulos.

Dom do Entendimento: Significa a Ciência do coração. Entender significa ver a partir do coração das outras pessoas, sentir e conhecer os sentimentos e as atitudes do coração das outras pessoas.

Dom do Conselho: Significa tomar boas decisões. Para se poder tomar boas decisões são necessárias um trabalho preparatório; ver as alternativas e prever as consequências. Então, quando a pessoa julga, o seu julgamento será correto.

Dom da Fortaleza: Significa que é preciso viver as decisões tomadas, sejam quais forem as dificuldades. Significa coragem para viver as próprias convicções, a qualquer preço.

Dom da Ciência: Significa um conhecimento claro do mundo tal como ele é para cada um, conforme a época da vida em que se vive. O mundo vai mudando e é preciso interpretá-lo a seu tempo.

Dom da Piedade: Significa ter na devida conta e apreço o valor da vida e tudo o que a mantém e suporta. O Dom da Piedade é para se enfrentar a realidade e responsabilidade de cada um, como por exemplo, os pais dedicarem-se aos seus filhos com todo o cuidado e ternura. Cada um deve assumir as suas responsabilidades.

Dom do Temor de Deus: Significa que se deve reconhecer com profundos sentimentos de respeito e amor, que se está sempre na presença de Deus. Assim mais facilmente se reconhece o perigo do erro e do pecado bem como a vantagem do bem e do cumprimento do dever.

Fonte: http://www.universocatolico.com.br/index.php?/dons-do-espirito-santo.html

Veiculada no Jornal do Tocantins (Arte & Vida) - 26 de maio de 2010.
Foto: Emerson Silva - FCT

terça-feira, 25 de maio de 2010

Jovens Polacas



Terminei hoje à noite de ler o livro “Jovens Polacas”. Surpreendi-me com o final da história e sim, me envolvi completamente com a narração. Os cortes no tempo são fantásticos e não permitem que você canse da leitura. (Coisas de Chris!)
É um romance que conta sobre o drama das prostitutas judias que vieram para o Brasil no início do século XX. As jovens eram vítimas dos gigolôs e dos traficantes de judias das aldeias pobres do Leste Europeu, essas mulheres desembarcavam em terras brasileiras e eram encaminhadas por cafetões judeus (na maioria das vezes, seus maridos!) para os bordéis do Rio de Janeiro.
Segundo o prefácio do livro, o termo “polaca” era utilizado para qualquer uma dessas moças, independente de que país elas tivessem vindo, pois passou a ser um atrativo erótico na vida boêmia da cidade. Sem contar que tem referências sérias a partir de livros, jornais e até pelo Arquivo Nacional.
O livro foi presente da minha amiga Chris Montenegro do blog “Curiosa Identidade”. E que presente lindo e enriquecedor! Sinto-me honrada em ter amizades tão cultas e amáveis. Obrigada Chris!
Em uma das partes da dedicatória, a Chris coloca que “espero que você se apaixone pela história como eu; é uma história de verdade, MEGA bem contada pela querida Esther.”
E acredito que por ser verdadeira só posso ter um sentimento: gratidão. Agradeço e admiro o esforço de tantas mulheres que já sofreram diversos tipos de crueldades para que hoje, nós podemos ter e viver uma ‘liberdade’ que é conquistada a cada dia.
Sinceramente, fiquei muito triste com toda a história (muita crueldade ainda mais de quem elas acreditavam que teriam o amor), porém muito feliz por ler e saber que existiram mulheres fortes e determinadas apesar de serem ‘usadas’...
Indico a leitura!
De verdade e de coração!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

De volta..


Gente que cansaço!
Passei quatro dias em Natividade durante as comemorações da Festa do Divino. Como estou cansada!
Andei bastante. Sol muito quente. Mochila pesada.
No fim das contas deu tudo certo. Os nativitanos são ótimos e acredito que vai dar tudo certo.
Meu "Diário de Campo" está no meu outro blog "Pesquisando". Lá conto como foram esses dias e claro, sem contar com algumas fotos da festa e minhas! Clique aqui!
Não se assustem com meus trajes de "estudante largada".. rsrsrs
É isso.
Essa semana tenho muitas coisas para fazer, enviar, escrever e ler!
Let's go!

Diário de Campo - 21 de Maio de 2010

Diário de Campo
Natividade, 21 de maio de 2010.

Meu dia começou às 9h. Terminei o diário de campo de ontem e sai para dar uma volta no centro histórico, antes, porém, conferi meus email’s na secretaria de cultura, juventude, turismo e esporte e logo depois saí fotografando os principais  pontos turísticos da cidade. No centro de cultura tive uma surpresa: Deborah, a vendedora da loja de artesanatos é evangélica, mas fala com muito respeito da festa do Divino. Durante meio passeio, um carro de som anunciava cultos da Igreja Evangélica – Ministério da Madureira-  para esse fim de semana. O local dos cultos fica próximo aos locais das festas do Capitão do Mastro e do Imperador, ao lado do Centro de Convenções de Natividade. Acredito que seria uma forma dos evangélicos não ficarem sem ‘o que fazer’, ainda mais por causa da grande Festa do Divino que atrai pessoas de diversas cidades circunvizinhas.
Hoje tirei todas as fotos pela câmera do meu celular. O Flávio teve que usar câmera dele. Lembrar de: comprar uma câmera digital (sem falta).
 Passeie pelo centro histórico até as 11h40. Almocei no mesmo local de ontem e a novidade foram meus vizinhos de mesa: ambulantes. Cada dia é uma descoberta. A dona do estabelecimento conversava com outra mulher se ela iria para as festividades do Divino. E a resposta foi positiva de ambas.
Percebo que durante a festa será meio complicado entrevistar algumas pessoas, principalmente, as que trabalham diretamente com a festa. Durante as comemorações, tentarei entrevistar alguns foliões, mas eles ficam tão envolvidos com o trabalho para o Divino que realmente não ficam parados. Se os devotos terminam algum serviço e estão sem fazer nada, já partem para auxiliar outro grupo em qualquer atividade.
Acredito que como retornarei na cidade no mês de junho por causa do Seminário Nacional de Arte, Comunicação e Cidadania, farei as entrevistas nesse período. Os devotos terão mais tempo e claro, a conversa deve fluir melhor. E tomara que apareçam pessoas para colocar o nome para a sorte do Divino. Estou preocupada.
Na parte da parte fui até a casa do Imperador ver os últimos preparativos. Lá eles produziam as bandeirolas e assavam os bolos que serão distribuídos no domingo.  Os bolos eram de arroz e de polvilho – bolo de mãe,  gostei mais do segundo (claro que provei).
Não consegui encontrar a casa do Capitão do Mastro. Ficava após a rodoviária. Depois fui até o centro de cultura marcar minha entrevista com a Marilia (produz licores) para o próximo mês.
Logo depois, fui na casa da Dona Naninha que produz os biscoitos “amor-perfeito” que é um famoso biscoito doce que representa a culinária nativitana. Comprei alguns para comer durante esses dias e levar para casa. Pra variar me entupiram de comida: biscoitos e bolos. Que medo de engordar! Aff.
A produção do programa “Raízes” quer me entrevistar sobre minha pesquisa da festa. Estou nervosa, mas acredito que consigo.  Fui também à Igreja Matriz e fotografei o altar e subi no coreto. A escada é muito íngreme (deu medo), mas é de lá que quero assistir a festa do Imperador.
Voltei para casa da UFT, tomei banho e fui assistir a gravação da súscia e catira nas ruínas da Rosário dos Pretos. Após a gravação: surpresa! Entrevistaram-me para sobre a Festa em frente a Matriz Nossa Senhora de Natividade. Que nervoso! Mas acredito que falei direitinho. Às vezes penso que não sei de nada, mas sei muita coisa sobre a Festa do Divino Espírito Santo.
Levei-os para conhecer o interior da Igreja e eles fizeram algumas gravações durante o tríduo. No tríduo há a adoração ao Divino e após inicia-se a missa. Hoje, o padre atrasou, pois aconteceu o assassinato de um padre tocantinense em Campos Belos – GO, além de ser sido mais demorada (quase 2 horas), a Matriz estava bem cheia.
Houve a benção das velas em tributo ao Pai, sábado será ao Filho e Domingo ao Espírito Santo. Essas velas só poderão ser acesas em momentos de extrema dificuldade. O Imperador tomou a palavra antes do fim da missa e cantou a ladainha composta por ele e intitulada “Roda Crítica Progressiva” que fala sobre a falta de união dos filhos de Deus, além dos problemas contemporâneos como violência, corrupção, poluição, programas sociais do Governo entre outros.  No final da missa, os devotos foram beijar a bandeira do Divino e pedir proteção divina para o ano. Hoje, foram três bandeiras para tal finalidade.
Os preparativos na casa do Imperador continuavam a mil. E claro, os foguetes entre a casa do Imperador e Capitão do Mastro continuavam sua comunicação.
O da última foto é o santo Flávio (me auxiliou bastante, valeu!)


Diário de Campo - 20 de Maio de 2010

Diário de Campo
Natividade, 20 de maio de 2010.

Saí de Palmas por volta de 6 horas da manhã e claro, a van me enrolou, pois me informaram que passariam às 4h30 e só apareceram às 5h30. Ou seja, noite mal dormida!
Dormi toda a viagem e cheguei em Natividade por volta das 9h30 da manhã. São em média 250 km de distância da Capital. Assim que pisei na rodoviária liguei para o Secretario de Cultura do município e ele foi me buscar no local, além de me levar até a casa da universidade para que ficasse hospedada por esses dias. A chave da porta principal é um monstro de grande! Sério mesmo.
Passamos em frente os locais da festa do Capitão do Mastro e do Imperador. E algo que é notório, a população de Natividade é em sua grande maioria de origem negra, acredito que seja devido a colonização da cidade por causa da exploração de ouro na região.
Depois de me alojar já fiquei doida por não ter o que fazer e sabendo que as coisas estavam acontecendo resolvi ir até a sede da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Juventude e Esporte, onde o secretário se encontrava para começar os trabalhos. Até porque caiu a ficha e tenho muita coisa para fazer.
Cheguei lá por volta de 10h30 e conheci o Flávio (que acho que já o conheçia por causa dos seminários de Natividade, o que é ótimo, pois ele poderá me auxiliar muito durante as pesquisas) que conhece grande parte dos moradores da cidade e ainda é devoto do Divino.
Conversamos até as 11h15 da manhã e marcamos de ir aos locais onde os devotos estavam preparando as ornamentações, alimentação entre outros para os próximos dias de festas em tributo ao Divino. Ele vai me emprestar uma câmera fotográfica, pois não consegui nenhuma. Lembrar de: comprar uma câmera urgentemente!
Fui almoçar e deparei-me com uma situação engraçada: eu sozinha em uma mesa no centro da churrascaria e ao redor duas mesas repletas de soldados do exército. Algumas amigas minhas iriam adorar, claro que eu achei bom, não é?
Depois do almoço voltei para a casa de cultura e descansei um pouco. Parecia que tinha carregado 10 mil sacos de cimento nas costas! Cansaço! Até porque na quarta-feira foi tudo bem cansativo e estressante, mas no fim deu tudo certo, senão, nem estaria aqui. Enquanto dormia um pouco, o pessoal do Jornal do Tocantins me liga para pegar algumas informações sobre a Festa do Divino. Sinceramente, fico sem graça com essa exposição. Daí a jornalista perguntou se eu era especialista,  e consenti, até porque tenho especialização em Cidadania e Cultura, só que ao mesmo tempo, me assustei, pois essa coisa de títulos soa tão estanho para mim.
Enfim, voltando para a coleta de dados.
Ás 14h fui para a secretaria de cultura, turismo, juventude e esporte para que o Flavio me acompanhasse até a casa do Imperador e na casa do Capitão do Mastro. Enquanto o esperava na Praça da Bandeira que já foi, de acordo com relatos de história oral, a Praça do Pelourinho, moradores estavam reunidos em uma das casas que fica em frente a essa praça e combinavam seu percurso (trilha) para a Romaria do Bonfim, que acontece em agosto, no povoado do Bonfim, distante 22km de Natividade.
Durante o percurso até o centro de cultura da cidade, observei o modo de vida das cidades do interior, pois não adianta você querer resolver as “coisas” no horário do almoço porque isso será improvável.  E tudo é bem mais calmo do que na Capital ou qualquer outra cidade maior. Os funcionários da secretaria estavam comemorando a vinda de uma agência do Banco do Brasil para Natividade e que teriam até que mudar de sede para ceder o prédio para o banco, mas isso não seria um problema.
Chegando ao centro de cultura, conheci a lojinha de artesanatos que será inaugurada no dia 16 de junho de 2010, durante o Seminário Nacional de Arte, Comunicação e Cidadania deste ano. No local já existem alguns artefatos para venda como chaveiros, molduras para parede e licores com motivos da Festa do Divino Espírito Santo.  No interior do centro, algumas mulheres ornamentavam algumas cestas com papel crepom vermelho e branco e flores do mesmo material na cor branca. Essas cestas seriam recheadas com os ‘pãezinhos do Divino’ que é distribuído gratuitamente após serem bentos durante a missa do Imperador para a comunidade presente. Marquei de entrevistar Dona Zeza e Marilia (que produzia antigamente os licores para a festa) de entrevista-las nesses próximos dias e minha idéia é que essas entrevistas aconteçam na manhã de sexta.
Logo depois da visita ao centro de cultura fomos para a casa do Imperador para conferir os últimos preparativos para a Festa do Imperador. No local, homens e mulheres de todas as idades trabalhavam em conjunto para cortar, fritar, pilando (no pilão de madeira) e colocar em recipientes plásticos, além de fazer, assar e empacotar os vários tipos de biscoitos (biscoito do céu, bolacha,  peta e amor-perfeito) que serão distribuídos para a comunidade. Uma animação e disposição sem fim. Ao som de forró, causos eram contatos durante o decorrer das atividades e fogos de artifícios que eram soltos como sinal de comunicação tanto da casa do Imperador quanto na casa do Capitão do Mastro, como resposta ao chamado de um e do outro. Os foguetes continuaram a noite toda...
Dona Urânia disse que todos que estavam lá era voluntários e atendiam ao chamado do Divino. “Se é para o Divino, ninguém reclama e nem ganha nada, aliás, ganhamos as bênçãos do Divino”.
É notório que os devotos têm uma fé imensurável para com o Divino Espírito Santo. Eles trabalham e se esforçam para preparar todas as comidas, bebidas e ornamentação em nome do Divino. No local há uma energia muito boa. Não há discussão, pois todos estão juntos em nome da fé, da propagação do nome do Divino e em busca das suas bênçãos.
Fiquei muito contente com a disposição e hospitalidade dos nativitanos. Tudo bem que a principio as pessoas olham meio desconfiadas, mas depois que explicava o trabalho que estava desenvolvendo eles se abriam mais e começavam a falar sobre a festa e seu amor pelo Divino Espírito Santo.
Nessa noite começaram os tríduos ao Divino na Igreja Matriz Nossa Senhora da Natividade. Cheguei na missa o padre já estava entrando junto com seus coroinhas, Imperador e imperatriz e Capitão e Rainha do Mastro. Dentro da Matriz, poucas pessoas participavam do tríduo (a igreja não estava lotada e alguns bancos estavam vagos), grande maioria dos presentes eram mulheres, além de poucos homens e jovens.
O tríduo é rápido e logo em seguida começa a missa. Engraçado como alguns ritos da missa são diferentes de cidade para cidade, não os tradicionais, mas sim a forma de como realizá-los. Durante a homilia o padre Pedro pede aos devotos que sigam três palavras durante a Festa do Divino Espírito Santo, são elas: caridade, devoção e unidade. Para ele, “o Divino amolece nossos corações, nossos preconceitos e nos aproxima de Deus. A bandeira do Divino faz o povo de Deus se aproximar dele.” Uma das coisas que vi e senti foram como o ambiente fica carregado de fé e em todos os cânticos, orações e ladainhas em coro unisinuo.
Ao final da missa, o padre pediu para que as pessoas para trazerem uma vela no tríduo de sexta-feira que será benzida e ‘levada ao Pai’ para que o devoto a acenda só em momentos de extrema dificuldade e quando a fé se esvai. Antes da benção final, padre Pedro convidou o Capitão do Mastro e por último o Imperador para fazerem o uso da palavra e convidar os devotos para participar das festas desse fim de semana.
O Capitão do Mastro Antonio Luiz disse para os presentes que tentou fazer o mínimo durante esse um ano de preparação para que a festa acontecesse da melhor maneira possível, segundo ele, o máximo ninguém consegue. O Capitão ainda convidou todos para participar da missa, da buscada e levantada do mastro, além da festa do capitão que será realizada no sábado.
Já o Imperador Julio Dias Rocha falou aos devotos que ao ser agraciado pelo Divino, apesar dele ser de origem humilde e não ter casa em Natividade, pois mora na zona rural, ele teve a responsabilidade de realizar uma caminhada árdua com a ajuda do Espírito Santo e as vezes, quando sente um cansaço, uma das coisas que o faz ficar feliz é o calor humano, pois a ajuda dos irmãos na preparação dessa festa, faz com que ele não se sinta só. E muitas vezes, pessoas que ele não acreditava que viriam ajudar apareciam e que muitas vezes, com as pessoas que ele não tinha contato, também apareceram para colaborar com o Divino.
Uma das questões abordadas pelo Imperador foi que algumas pessoas que haviam colocado o nome para a sorte do Divino, pediram para que fosse retirado. E que, até aquele dia (quinta-feira) não havia nenhum nome para a sorte. O Imperador disse que “essa história é nossa e muita gente aqui de Natividade não dá valor. Nos que somos nativitanos temos que convencer nossos irmãos da importância de ter a festa do Divino e claro, de ajudá-los com essa tarefa do Divino.”
O Padre Pedro complementou o pedido do Imperador e disse que “ao retirar o nome da sorte do Divino é sinal de rompimento com a tradição, pois se você colocou o nome, a sorte e a festa não é você que vai realizar, mas sim, o Divino. Pois o Divino que vai escolher o corpo em que ele quer agir para realizar o dia da caridade entre a comunidade.”
Com essa fala, o padre deixa a entender que a Festa do Divino promove aquelas três palavras citadas e que a caridade é a principal delas. Quando acabou a missa, os devotos formaram uma fila para beijar a bandeira da misericórdia e fazer pedidos ao Divino.
Preocupei-me com a informação de que não havia nenhum inscrito para Imperador e Capitão do Mastro, pois como irei realizar a pesquisa e ainda mais, não há como fazer a festa sem a escolha desses dois personagens principais. O Flávio me informou que até no domingo de Petencostes aparecerão nomes. Espero..

 Algumas fotos:

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Recordar é viver!


Noite de quinta-feira.
Geralmente fico em casa curtindo-a.
Gosto de ficar em casa para ver TV, comer bobagem e deitar no sofá como quem não quer nada e como se não existisse coisa melhor no mundo.
Ontem, depois de ver o penúltimo capitulo da novela, quase morro de rir com a Grande Família... Daí resolvi zapear pelos canais locais e topo com a Rede Brasil transmitindo um filme clássico e que marcou uma etapa importante da minha vida: a infância.
LoucAdemia de Policia!
Sim é clássico para mim!
Como foi divertido rever o filme e a cada vez que era pronunciado o nome dos personagens e seus estereótipos ‘bem’ definidos, eu viajava para um passado distante, porém com uma pitada de ‘quero mais’.
Nossa! Minhas sessões de filmes nas tardes quentes de Araguaína junto com meus irmãos, além do ‘lanchinho’ que minha mãe sempre preparava... Humm.. Que lembrança boa!
Muito bom rever o Mahoney o sempre bonitinho, aprontando com todos  e o herói no fim do filme, sem contar que sempre ficava com as mocinhas;  o Tackleberry com sua super arma de cano longo e aquele ar de desenho animado; o capitão Harris sempre querendo derrubar o comandante; o Jones que imitava diversas coisas e animais; a aguniadinha e de voz finaaa da Hooks; o Hightower calado e forte; o Zed roqueiro louco que só conversava gritando e o Sweetchuck, típico nerd, além da super loira Calahan (tipo Barbie Malibu) que mostrava quem tinha o poder.. E o sempre tranquilo Capitão Eric Lassard!
Cada um do seu jeito e com sua graça e que me marcaram muito tanto nos filmes como no desenho que passava na Rede Globo. Não me lembro o período em que passou, sei que foi na década de 90! A minha década de lembranças e isso é o que basta!
 E hoje tem Loucademia de Policia 5..
Acredito que tenha sido a ‘semana’ dos cadetes mais loucos do mundo!
Como é bom relembrar!
Ahh.. lembram da musica?

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Canarinho!


Saiu hoje a convocação do delírio nacional: a Seleção Brasileira de Futebol.
Poucas novidades e uma grande surpresa: Grafite! Isso mesmo minha gente: aquele cara que chamaram de 'macaco' e deu o maior bafafá. Não estou fazendo apologia e nem desdenhando ninguém (PELO AMOR DE DEUS), até porque sou negra também, apenas para lembrar-lhes quem é o Grafite. E detalhe ótimo: o cara foi artilheiro do campeonato alemão.. tá podendo, uai!
Enfim.
Gostei da convocação. Tudo bem que esperava o Adriano (gostosão), mas não rolou. E graças ao santo Dunga, o Neymar (chatinho) não vai. O menino agora que está começando e acredito que ele tem que ficar mais maduro antes de pegar um mundial. Claro que não estou falando do futebol do menino, mas de maturidade mesmo. Como rola no twitter #euacreditonoDunga!
Preparem-se que o Várias Anas vai começar ficar meio masculino, sabe... Amo futebol e pretendo discutir mesmo o que vai acontecer nesse Mundial. Já estou preparando a camiseta amarela (manto sagrado), tinta no rosto e a garganta para gritar GOL bem alto..
Não esquecendo da cervejinha, petiscos e óbvio: os amigos!
E sem contar que minha amiga Portuga está aqui e vou zuar muitoooo dela (não é Helena?!)
Bola pra frente e vamos tentar o Hexa!
Até porquê nem me importa muito se o Brasil ganhar ou não, eu quero é a festa que rola em cada jogo! rsrsrs
Brincadeiraaaa (ou não!)
Inté!

Opss.. Tem uns detalhes, coisa de menina, como por exemplo, os gatinhos: Kaká, Nilmar, Júlio César e Felipe Melo (esse daí, hein, com essa cara de malvado.. ui!).