quinta-feira, 26 de junho de 2014

As mães perfeitas do Facebook...


No Facebook me deparei com esse relato da autora Alessandra Garattoni sobre os grupos sobre maternidade nessa rede social. Eu me identifiquei. Claro que têm gente que não vai gostar, mas isso é questão de ponto de vista. Se eu fosse escrever sobre, escreveria sem tirar e nem por nada.
“Tão logo a gente engravida, começa a entrar – por procura ou por imposição de outras amigas-mães – no maravilhoso mundo dos grupos de maternidade do Facebook. E ali se abre um mundo à parte, geralmente com idéias muito fortes, muito definidas, muito bem-definidas, que, vez por outra, podem causar uma certa sensação de inadequação.
As mães perfeitas dos grupos do Facebook têm parto natural. Sem anestesia, acompanhada por uma doula. As mães perfeitas dos grupos do Facebook amamentam, em livre demanda, até que a criança complete, pelo menos, dois anos de idade. E, ao longo deste período, corta de sua própria alimentação os chocolates, os refrigerantes e mais uma infinita série de alimentos que podem causar cólica ou gases no bebê. Mas isso jamais parece sacrifício ou coisa do gênero.
As mães perfeitas dos grupos do Facebook têm uma paciência inesgotável, infinita, profunda e sincera. Jamais ficam de mau humor, nem mesmo ao passar um ano sem dormir por mais de duas horas seguidas. Jamais se incomodam com o choro sem motivo, sem diagnóstico. Jamais se aborrecem por não ter tempo para si. Jamais sentem vontade de colocar um fone de ouvido no volume máximo.
As mães perfeitas dos grupos do Facebook praticam a doação completa que é sinônimo de maternidade nas teorias. Abdicam de suas carreiras e também de tempo para ir ao cabeleireiro ou para ouvir uma música, ver um filme, ler um livro. As mães perfeitas dos grupos dos Facebook NUNCA sentiram vontade de se trancar sozinhas num quarto, ainda que o seu filho mais velho já tenha 18 anos.
As mães perfeitas dos grupos do Facebook lêem todos os livros técnicos sobre maternidade, têm, têm todas as teorias na ponta da língua, mas, juram, não seguem nenhuma e acham que todo aquele ABCdário serve apenas para engordar as contas dos autores.
As mães perfeitas dos grupos do Facebook têm dois filhos – um é maldade com o filho único, a partir de três é errado em termos de sustentabilidade (o planeta já tem gente demais). As mães perfeitas dos grupos do Facebook nunca exageram ou se empolgam além da conta ao montar o enxoval, pois o consumo também e muito errado sob o ponto de vista da sustentabilidade. Então, elas jamais apagam o racional na hora em que vêem o vestido cor de rosa mais lindo do shopping.
As mães perfeitas dos grupos do Facebook aumentam – e muito! – o tal lance da culpa materna, que assola todas as mães imperfeitas do mundo.
E não bastasse tanta perfeição, as mães perfeitas dos grupos de Facebook julgam e atiram pedras a todas as que não seguem as mesmas fórmulas e escolhas. A meu ver, este é o ÚNICO defeito delas!”.
E, com maestria a escritora Alessandra consegue expressar todo o meu sentimento que achei injusto parafrasear esse texto, sendo que na escrita original, vocês sentiram o impacto desse desabafo. Até a próxima!

Fonte: www.alegarattoni.com.br

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