sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Tentei, lutei, compreendi e entendi...


Quem eu sou de verdade?
A quem quero mostrar minha identidade?
Qual é minha identidade?
Eu, como pesquisadora quase doutora, tive que viver o experimento para testar minhas hipóteses, testar variáveis e chegar aos resultados.
Depois de tanto tempo, de medos, inseguranças e paranóias, pensei que tivesse gostado do meu look cacheado, porém nesses últimos três anos tentando e me reconhecendo, não me reconheci mais.
Depois de um surto de ansiedade no último dia 18/11 e ter acordado as 1h, querendo arrancar minhas recém feitas tranças com faca, eu resolvi voltar a estaca zero com meu cabelo e reconstruir uma imagem que construi durante longos 10 anos. Sim, naquela fase da vida que decidimos quem e o quê queremos ser.
Apesar de ter tentando, eu não me reconheci cacheada novamente... Tentei me esforçar para não cair em descrédito na boca do povo e acabei por cair, de novo, no que eu esperava que as outras pessoas falassem de mim! 
E cara, isso é frustante!
E é algo em mim que tento melhorar, mas não existe apenas ignorar o pensamento alheio quando se tem réplicas dessa sociedade na família e nos seus ambientes de convívio. Sim, as pessoas falam das pessoas. E eu também falo sobre outras pessoas. Ninguém é santo.
Ontem, depois que eu cortei meu cabelo bem curtinho e escovei, eu me amei, me aceitei. Me amei de tal forma e tão profundamente que disse a mim mesma: "Oi Poliana! Olha você aí!"
Com ele cortado e cacheado, sendo bem realista, eu odiei. Me odiei mais ainda.
Eu gosto do meu cabelo, da minha imagem e do meu sorriso naquela versão que trabalhei anos construindo. E, por mais que as pessoas dissessem que estava "bem melhor" de cabelo cacheado, eu tinha quase certeza que não fazia sentido. Porque eu vejo minhas fotos antes do BigChop (BC) e lá me reconheço. Tenho tantas fotos (selfies) daquela época, e depois do BC, são menos da metade. E olha que o celular melhorou drasticamente de qualidade!
Não é questão de não ser mais ou menos negra, é questão de construção de identidade. E digo isso com propriedade porque estudo isso!
Eu mantive meu cabelo cacheado esse tempo todo para manter um discurso que nem eu acredito! Pronto falei!
Não sou militante pró cachos! Sou militante se você ser quem quiser ser! Sou feminista, leio e defendo a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, sim!
Peço desculpas para as moças que incentivei, mas fui cacheada novamente por três anos e espero que tenha ajudado alguém a se encontrar, a encontrar sua identidade.
Eu tentei. Tentei por mais de mil dias! Me achei horrível de cabelo pós BC, fui me acostumando com a idéia e de como cuidar do cabelo natural, me achei bonita em poucos dias (pós lavagem) e depois vinha o trabalhão em tentar organizar os cachos na cabeça.
Não posso dizer que não tentei. 
Porque eu tentei sim!
Só que, ser cacheada, não é minha identidade!
E agora, começo de novo o processo de construção. E digo uma coisa, eu me gosto de várias maneiras, mas tem uma que me deixa leve e sem culpa!
É nessa que eu vou apostar!



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